No contexto brasileiro, os grupos sociais mais vulneráveis e frequentemente desprotegidos pelo poder público são aqueles que enfrentam desigualdades estruturais, econômicas, sociais e geográficas. A vulnerabilidade é definida pela falta de acesso a serviços básicos (saúde, educação, saneamento), baixa renda, inserção precária no mercado de trabalho e exposição à violência.Pessoas em Situação de Rua: Considerada uma das formas mais extremas de exclusão, com mais de 335 mil pessoas vivendo nessa condição segundo registros do CadÚnico em 2025. Enfrentam falta de intersetorialidade no atendimento e alto risco de violência.
População de Favelas e Periferias: Moradores de áreas com infraestrutura precária, muitas vezes negligenciados pelo Estado, sofrendo com insegurança alimentar e falta de saneamento.
Mulheres Chefes de Família: Em 2023, mais de 83% das famílias beneficiárias do Bolsa Família eram chefiadas por mulheres, evidenciando sua representatividade na pobreza extrema. Mulheres com filhos pequenos sofreram impacto desproporcional na renda, agravado pela pandemia.
População Negra e Parda: Dados do IBGE indicam que cerca de 75% das pessoas em extrema pobreza no Brasil se identificam como pretas ou pardas.
Povos Indígenas e Comunidades Tradicionais: Enfrentam desproteção territorial, falta de acesso a serviços de saúde adequados e altos índices de mortalidade infantil (43,4 por 1.000 nascidos vivos, em comparação à média geral).
Crianças e Adolescentes: Especialmente os desaparecidos, com cerca de 20 mil jovens menores de 17 anos relatados como desaparecidos em um único ano.
Pessoas LGBTQIA+ e Imigrantes: Frequentemente marginalizados e expostos a níveis mais altos de violência e discriminação.
Principais Fatores de Desproteção:
Insegurança Alimentar e Econômica: Apesar da redução nos números de pobreza, milhões de brasileiros ainda vivem com insegurança alimentar.
Falta de Infraestrutura: Déficit em saneamento básico e moradia digna.
Acesso à Saúde: Deficiências no sistema de saúde, incluindo carência de leitos e profissionais em áreas periféricas.
Segurança Pública: A percepção de insegurança cresceu, com a expansão de facções criminosas em áreas vulneráveis.
Desigualdade Regional: Populações das regiões Norte e Nordeste apresentam os maiores índices de pobreza (47,2% no Nordeste e 38,5% no Norte).
Esses grupos sofrem com a sobreposição de vulnerabilidades, onde a pobreza se soma ao racismo estrutural, violência e falta de políticas públicas efetivas.


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